sábado, 10 de janeiro de 2009

A montanha da Penha coberta de neve

Uma imagem rara de um denso nevão na montanha da Penha. 
Há 22 anos que a neve não caía na montanha com tanta intensidade.

A montanha da Penha foi sempre uma referência turística e afectiva para quem, em qualquer época, viveu em Guimarães, nomeadamente para os ex-verbitas que frequentaram o Seminário da Costa nos anos 50 e os que por ali andaram a partir dos anos 60. Ninguém ficou indiferente.
No entanto, hoje, a montanha da Penha, apresenta-se com uma dignidade que não tinha outrora. É subir à montanha e dá-se logo por isso.
Primitivamente subia-se a pé, pelos caminhos tradicionais, ainda existentes (ficou célebre o "Caminho do escrivão").
Com a abertura das estradas nacionais pela freguesia Costa e por Mesão Frio (a partir da estrada de Fafe) projectadas em finais do século 19, tornou-se mais fácil o acesso à montanha.
A inauguração, em 1995, de um teleférico entre a cidade de Guimarães e a montanha da Penha, deu a este parque de montanha uma visibilidade acrescida, que levou ao desenvolvimento que hoje regista.

Um espaço religioso e de lazer
A montanha da penha é actualmente não só um espaço religioso, com um santuário e várias capelas dedicadas à Virgem e a outras santos que a devoção popular adoptou, mas também um ponto de referência turística em toda a região norte e, sem dúvida, o local que melhores condições oferece para um piquenique em família, por entre a densa penedia e o fresco das árvores, em fins de tarde calorentos ou em passeios de fim de semana.
Obviamente que estamos no Inverno e os encantos, para esta época, são diferentes. Mas nem por isso a montanha deixa de ser procurada.

O caminho tradicional
Para os que frequentaram, outrora, o seminário da Costa, o que encantava não era a subida pelas estradas nacionais, mas o caminho directo, a pé, até ao alto da montanha, pelos carreiros tradicionais, cheios de arvoredo, de rochedos lendários, de grutas e desfiladeiros a convidar á descoberta, de fontes frescas semeadas pela montanha. 

As atracções na montanha
Era isso que nos encantava pelo caminho, até lá acima, onde eram visitas obrigatórias a gruta da Senhora do Carmo, onde se iniciou a devoção à Virgem na montanha, em 1703; o nicho onde Santo Elias, patrono dos carmelitas, dorme o seu sono eterno e ininterrupto; a fonte de Santa Catarina, com os belos versos do poeta Bráulio Caldas e o monumento a Pio IX, de onde se desfruta o mais belo panorama sobre o horizonte, a partir da montanha; o penedo dos aviadores, memória da travessia aérea do Atlântico-Sul por gago Coutinho e Sacadura Cabral, em 1922; e o santuário Mariano, no centro da montanha, inaugurado em 1947, que junta milhares de peregrinos, todos os anos, em especiais dias de peregrinações.
A montanha da Penha apresenta, hoje, atracções e muito melhores condições de acesso à montanha.

O nevão
Ontem, andei por lá e registei o nevão que lá se registou. São fotos que, certamente, ficam para a história.
Foi digno de se ver. Aqui partilho algumas das fotos que fiz, com um convite a que, quem passe por estes lados, não deixe de matar saudades e suba mais uma vez a este lugar de eleição, repleto de mistérios e lendas mas, sobretudo, de uma beleza paisagística inesquecível.

Outras imagens da Penha
coberta pelo nevão de 9 de Janeiro de 2009









Esta última foto é do nevão 
que caiu na montanha da Penha em Fevereiro de 1987.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Para a história da SVD em Portugal 2








O "Seminário 
da Imaculada" 
com a Igreja 
paroquial 
da freguesia 
de Santa Marinha 
da Costa - Guimarães, 
em primeiro 
plano,
no ano de 1955.


Foi há 53 anos, a 31 de Agosto de 1955, que eu, feita a 4ª classe e vindo de uma aldeia do interior do concelho de Barcelos, cheguei a Guimarães, de camioneta, com destino ao "Seminário da Imaculada", na Costa.
A minha primeira impressão, foi de espanto. Um enorme edifício, em grande parte arruinado, nos esperava. Mal imaginava eu que, nos dois anos seguintes, iria passar ali dois dos anos mais interessantes da minha infância, dormindo em camarata, paredes meias com enormes ruínas, que acabaria por escalar, na inconsciência da infância, que nos chama à aventura e ao prazer do desconhecido.


Antigo convento

Só mais tarde fiquei a perceber o privilégio que era viver num edifício que, embora em parte arruinado, estava integrado numa grande quinta, com belos e enormes jardins onde se modulavam, em buxo, figuras de aves e matas onde cada espécime arbóreo representava uma descoberta botânica que ainda hoje nos desperta memórias visuais e nos faz identificar os cheiros que invadiam a quinta. Não teria havido melhor local para os cónegos de Santo Agostinho, na Idade Média, e posteriormente os frades da ordem de São Jerónimo, no início do século 16, instalarem o seu convento.

O seminário da Imaculada - Costa - Guimarães
Os lugares que mais preferíamos para a brincadeira, eram, naturalmente, as velhas e extensas ruínas entre a casa que ocupávamos e a varanda de Frei Jerónimo, onde havia um belo chafariz de quatro bocas, de onde jorrava, permanentemente, a melhor água de Guimarães, proveniente das nascentes da encosta da Penha.

O labirinto e a "piscina"
Local privilegiado para a aventura era também o "Labirinto", um local mítico, em plena mata, cheio de percursos intrincados, feitos de sebes altas que convergiam para um centro,  onde quem chegasse primeiro era o vencedor. Não havia melhor sítio para o esconde-esconde, um jogo que ainda fazia parte do nosso divertimento infantil.
E o enorme tanque oval, ao cimo de um enorme escadório, que nós transformamos em piscina e onde muitos de nós aprenderam a nadar. Sítio mais aprazível, rodeado de árvores enormes e frescas, que davam sombra no Verão, não era possível encontrar.
O edifício, esse, era bastante velho, mas acolhedor. Era o espaço que tinha restado de um incêndio, ocorrido em 1951, quando ainda era seminário jesuita. Abandonado por estes, foi alugado pela Congregação do Verbo Divino, para ali instalar, em 1952, o "Seminário Missionário da Imaculada", a segunda casa verbita em Portugal.


O interior do edifício
O imóvel tinha dois pisos: rés-do-chão e primeiro andar. No rés do-chão instalavam-se o Refeitório, a cozinha, a zona de serviços, balneários com chuveiros, lavandaria e um dormitório, com entrada pela zona do claustro.
No primeiro andar havia um segundo dormitório, instalado na "Sala do Capítulo" do velho convento e cheia de belos painéis de azulejos historiados; a Capela, onde o que mais marcava era um pequeno nicho, formado por uma reentrância em forma de vieira, com a imagem da "Imaculada"; e as salas de aula, com janelas voltadas para a entrada principal do edifício e vista para a cidade de Guimarães. 
O acesso do rés-do-chão ao primeiro piso era feito por um escadaria em madeira trabalhada. Nos corredores havia janelas que davam para um claustro interior, com um belo chafariz ao centro, de onde jorrava a água fresca que nos matava a sede nos dias de maior cavernícula. 
Sobre o frontão da entrada principal do seminário via-se um brasão de armas. Da entrada principal acedia-se ao claustro através de uma escadaria, ao cimo da qual se encontrava um portão gradeado em ferro. 

O claustro
O acesso aos jardins interiores, a partir do claustro, era feito por  uma bela escadaria, cheia de belos painéis historiados, com cenas de guerra e epopeias históricas, que dava também acesso ao dormitório, outro sala do capítulo do velho convento.
Foi este o cenário em que passei os dois primeiros anos de seminário, repleto das aventuras típicas desta época que marca a passagem da infância para a puberdade, com educadores que vinham de outras culturas, certamente mais evoluídas que a nossa, mas também marcadas pela guerra mundial que uma dúzia de anos antes avassalara a europa e a mergulhara na miséria e na violência. 
Mas nós estávamos a léguas dessa vivências e só trazíamos connosco as marcas que tal perturbação trouxera às nossas vidas, traduzida em atraso económico, cultural e social, no interior das nossas aldeias.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Para a história da SVD em Portugal 1

Alunos do 1º e 2º ano que frequentaram o  Seminário da Costa, em Guimarães, 
no ano lectivo de 1955-56 (para ampliar a foto basta clicar sobre ela)

Na sequência do convite que lancei, há dias, de partilha de documentação fotográfica que possa contribuir para fazer a história da SVD em Portugal, vou iniciar aqui a publicação de algumas fotografias, de que alguns dos antigos alunos se lembrarão, certamente, pois fizeram parte do seu percurso de vida e eles próprios estão nelas documentados.
Fico à espera de que este blogue tenha alguma ressonância e possa constituir o início de uma fotomonografia da svd.
Assim sendo, aqui fica a primeira foto, que regista a comunidade de alunos e padres que viviam no Seminário da Costa, em Guimarães, no ano lectivo de 1955/1956. A foto foi tirada junto ao Castelo de São Mamede, na Colina Sagrada de Guimarães e nela se destacam o Pe. Sebastião Marques e alunos do 1º e do 2º anos que então frequentavam o seminário. Na foto não aparecem todos pois alguns encontravam-se ainda a escalar as muralhas no interior do Castelo

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Encontro de Natal da AAVD-Norte juntou em Guimarães mais de 50 pessoas

Mais de meia centena de pessoas, entre associados e respectivas famílias,
participou, a 14 de Dezembro, no encontro de Natal da AAVD - Norte, em Guimarães
.


Estava à espera do Encontro de Natal da AAVD-Norte, para colocar aqui mais algumas imagens e comentários sobre a matéria. Infelizmente, porém, a nortada de gripes que tem devastado a região, mais uma vez me impediu de estar presente, pelo que apenas avanço uma leve notícia do encontro, de que haverá maior desenvolvimento na próxima edição do "LUX MUNDI", que chegará às caixas de correio dos associados ao longo do mês de Janeiro.
Havendo tantos ex-AAVD na zona norte, seria de esperar maior presença de associados. Mesmo assim, foi apreciável o número de participantes, como se pode constatar pela foto de grupo. Contamos, no entanto, ao longo do mandato da actual Direcção da AAVD, de que faço parte como vogal, dinamizar com novas ideias e iniciativas a vivência associativa dos antigos alunos dos seminários do Verbo Divino em Portugal, já que há uma chama, em todos, que recusa extinguir-se, embora, muitas vezes, a luz seja bastante pálida. Pretendemos avivá-la.
Não tenho feito grande divulgação deste blogue, mas ele está aberto à colaboração de todos os que o lerem, quer seja com comentários, quer seja com o envio de notícias, que serão divulgadas aqui ou que poderão ser, igualmente, canalizadas para o Lux Mundi, se o seu interesse colectivo assim o indicar.
Para já, aqui fica, para todos, um voto de boas festas natalícias.

O presidente e secretário da AAVD, Ferraz de Moura e António Marques de Brito

O restaurante escolhido para o almoço do encontro de Natal
foi o "Dan José", na montanha da Penha

sábado, 29 de novembro de 2008

Encontro de Natal da AAVD Norte a 14 de Dezembro em Guimarães

 Os participantes no Encontro de Verão da AAVD Norte 
em Junho de 2007 na montanha da Penha

Organizado pelos delegados regionais nortenhos da AAVD, vai ter lugar no próximo dia 14 de Dezembro, a partir das 11 horas, o “Encontro de Natal 2008”, para o qual se espera ampla participação de antigos alunos, tanto mais que a Direcção Nacional desta colectividade de ex-verbitas está actualmente sediada em Guimarães, o que constitui uma oportunidade para um confronto directo entre associados e actuais dirigentes da instituição.
A concentração terá lugar por volta das 11 horas no Seminário do Verbo Divino, na Madre de Deus – Azurém, onde decorrerá uma sessão de cumprimentos às autoridades da casa, a que se seguirá a celebração da Eucaristia.
A segunda parte do convívio decorrerá no “Dan José”, na Montanha da Penha, um restaurante bem conhecido pela sua qualidade gastronómica. Ali decorrerá o almoço, pelas 13.30 horas e a tarde de convívio, para o fim da qual está preparada uma surpresa. E mais não digo.
Publicam-se aqui duas fotos do convívio do ano passado, realizado na mesma montanha da Penha, no dia da festa de Santa Catarina, em Junho de 2007.
A organização está a contar com uma expressiva presença de antigos alunos que frequentaram, em tempos, os seminários da svd em Portugal, através dos quais conta redinamizar a actividade associativa da AAVD no Norte.
Até ao Encontro de Natal...

 Alguns dos participantes no encontro que teve a visita, embora curta, 
de um destacado ex-verbita, António Magalhães Silva, 
desde 1990 presidente da Câmara Municipal de Guimarães

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Ex-verbitas reuniram em Guimarães


Da direita para a esquerda - fila de cima: José Prata Candeias, José Gaspar Esteves, Pe. Manuel Abreu, Armindo Cachada, Pe. José Antunes (Provincial svd), Rita (esposa do Manuel Felgueiras) e Mena Brito (esposa do A. M. Brito.  Fila em baixo: Francisco campos, Manuel Felgueiras Martins e Anónio Marques de Brito

No dia 15 de Novembro, reuniram-se em Guimarães, no seminário do Verbo Divino, os ex-verbitas José Prata Candeias, António Marques de Brito e esposa, Manuel Felgueiras Martins e esposa, Francisco Campos, José Gaspar e Armindo Cachada.
O objectivo deste encontro, que se repete, periodicamente, duas vezes por ano, é o de estabelecer uma ponte comunicação com a SVD, para apoio a actividades culturais, humanitárias ou sociais prosseguidas por esta corporação missionária, de que os presentes fizeram parte durante muitos anos.
A recebê-los na casa verbita, além do pessoal ali residente, estavam o Provincial svd, Pe. José Antunes e o Pe. Manuel Abreu, que deixou recentemente Moçambique e foi transferido para o seminário de Guimarães.

Tradução do Livro do Pe. Schebesta
Portugals konquistamission in Südost Afrika” 
(Portugal: Conquista e Missão no Sudeste de África)

Além de um jantar no dia 14 à noite e de um convívio que se prolongou ao dia seguinte, o ponto central do encontro foi uma reunião para decidir sobre o andamento a dar às actividades que o grupo de ex-verbitas tem em curso, nomeadamente a tradução e publicação do livro do missionário alemão “Pe. Schebesta svd”, que foi missionário em Moçambique no período conturbado que precedeu a Primeira Grande Guerra Mundial de 1914-1988, e escreveu um bem documentado volume sobre a história das Missões naquele país, desde o tempo das Descobertas até ao início do século XX.
O livro já foi traduzido do alemão para o português pelos ex-verbitas António Marques de Brito, Manuel Felgueiras Martins e José Prata Candeias, que dominam bem o idioma alemão pois estudaram e viveram durante longos anos naquele país.
A tradução está agora a ser revista e preparada para publicação por Armindo Cachada, que foi durante muitos anos jornalista do Jornal de Notícias. A edição deste livro está prevista para o próximo ano, entre Setembro e Novembro de 2009, altura em que se comemoram o centenário da morte do Pe. Arnaldo Janssen, fundador da SVD e os 60 anos da implantação da SVD em Portugal.

Memória fotográfica

Outras iniciativas estão em curso, lideradas pelo mesmo grupo, nomeadamente a recuperação da memória verbita dos últimos 60 anos em Portugal, através de documentação fotográfica, que será recolhida, tratada e arquivada em bases de dados, para garantia de preservação.
Nesse sentido pede-se a todos os antigos alunos do Verbo Divino, associados ou não na AAVD, que tenham em seu poder fotografias do tempo em que permaneceram nos respectivos seminários, o favor de as fazer chegar cópias destas à Direcção da AAVD, digitalizadas (com boa definição) ou copiadas em papel fotográfico, para que possam ser identificadas, catalogadas e armazenadas em suporte digital, para memoria futura.
As fotos digitalizadas podem ser ser enviadas por e-mail para o seguinte endereço electrónico: acachada.sr@gmail.com. As que forem enviadas por correio postal, podem ser endereçadas para:

AAVD
Rua Teixeira de Pascoaes, 421 – Azurém
4801-913 GUIMARÃES
Para esclarecimentos, ligar para o nº: 968525190 (Armindo Cachada).

Solicita-se que as fotos venham devidamente identificadas quanto aos personagens que nelas se encontram e quanto ao enquadramento temporal ou espacial em que foram tiradas.
Muito obrigado a todos os que se dispuserem a colaborar.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Encontro de antigos alunos SVD no Tortosendo

Vista aérea do Seminário do Verbo Divino, no Tortosendo (Google Earth)

Os antigos alunos do Verbo Divino estão espalhados por todo o país mas, para os encontros anuais ou periódicos, organizam-se por zonas territoriais, correspondentes, geralmente, à localização dos seminários que outrora frequentaram: Guimarães, Fátima, Tortosendo e Lisboa.
Os AAVD da região das Beiras reuniram-se no passado fim de semana no Tortosendo, com local de encontro no Seminário do Verbo Divino. Este continua a ser o centro afectivo das lembranças e recordações dos que por lá passaram nos seus tempos mais jovens. Estiveram presentes várias dezenas de pessoas, incluindo familiares.
Tratou-se de um encontro anual, no qual participei pela primeira vez em representação da AAVD, com mais três colegas. Foi animadíssimo e completamente informal. Vê-se que naquela zona o espírito verbita ainda perdura, bem forte, nos antigos alunos da SVD.
O ritual de participação foi o habitual: missa na capela do seminário, almoço e convívio pela tarde, com magusto, jeropiga, vinho tinto e febras, além de uma sessão animadíssima de fado, protagonizada pelo Maurício e por outros guitarristas, numa tarde bem inspirada.
Estiveram presentes oito representantes de Guimarães, três deles com as respectivas esposas e alguns de Lisboa.
Agora há que esperar por outros encontros: Em Lisboa, no mês de Novembro e em Guimarães, no mês de Dezembro. Aqui ficam algumas fotos, para ilustração.


Fotos do Encontro AAVD de Tortosendo - 25 de outubro de 2008